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Mortal Kombat: pouco combate e ainda menos mortal

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Mortal Kombat foi um mega sucesso desde o primeiro game, que já chamava a atenção por ser extremamente violento pros padrões da época. E, assim como o já citado Street Fighter, causou grandes expectativas quando foi divulgado que uma adaptação para o cinema estava em produção. E, claro, foi mais uma decepção.

Mas ao contrário do filme dos lutadores de rua, que peca por fugir das características dos personagens virtuais, aqui é feito um grande esforço pra trazer todos os elementos do jogo pra telona, exceto o principal: SANGUE. Já que o filme teria que ser proibido para menores de 18 se fosse exibir todos os desmembramentos e tripas que se tornaram marcas registradas da série, então os produtores optaram por um roteiro cheio de piadinhas pra dar uma aliviada. Outro grande problema é a atuação desastrosa de todo o elenco, parece até que estavam competindo para saber quem era mais canastrão.

A história gira em torno de um torneio de lutas onde será decidido o destino da humanidade, e cada um dos lutadores tem sua própria motivação para participar. No time dos bons temos Liu Kang, que quer vingar a morte de seu irmão e ganha sua oportunidade ao ser escolhido pelos monges do templo budista onde foi criado para representá-los na competição. Essa cena também nos apresenta a Raiden, o Deus do Trovão, que servirá como uma espécie de Mestre dos Magos pros mocinhos, se envolvendo quase nada nas lutas e dando conselhos que são de pouca serventia. Quando Kang vê Raiden pela primeira vez, fica inconformado e questiona seus mestres o porquê de estarem idolatrando um mendigo, e um dos monges se desculpa com a divindade soltando uma piadinha: ele diz que Kang ficou assim, incrédulo, pois assistiu muita televisão quando abandonou o mosteiro. O grande problema do rapaz é não ter absolutamente nenhum carisma, tornando difícil a torcida por ele (mesmo problema de Guile em Street Fighter).

Sonya Blade é uma policial que está na caça de um perigoso assassino, e sua primeira aparição acontece em um clube onde está rolando um show de metal, e o tal clube deve ser muito barra pesada, pois ninguém se importa com uma equipe da polícia fortemente armada invadindo o local. A atriz que a interpreta é bem fraquinha e falha ao compor sua personagem como uma mulher forte; depois de um filme inteiro tentando provar sua independência, Sonya acaba no papel de mocinha apaixonada e em perigo. Uma pena, já que nas mãos de alguém minimamente competente teríamos uma personagem feminina bem interessante, mas a moça só fica o tempo inteiro sendo grosseira e fazendo cara de cu pra todos.

O par romântico da moça é Jean Claude Van Damme?—?opa, espera, não é isso. Temos Johnny Cage, um ator de Hollywood que embarca no torneio por motivos menos nobres: ele só quer provar que sabe lutar e não é uma fraude como a mídia alega. Apesar de estar aqui mais por alívio cômico do que qualquer outra coisa, soltando uma piadinha cada vez que abre a boca, Cage é um dos personagens mais legais do filme, e também o único a reproduzir seu fatality. O time é fechado por Kitana, uma personagem pouco relevante na história, mas que serve de interesse amoroso de Liu Kang.

No time dos vilões temos Kano, o tal assassino que Sonya quer prender, e que morre na metade do filme sem fazer grandes coisas; e os ninjas Sub-Zero, Scorpion e Reptile, que também não servem pra quase nada, e que apesar de terem pouquíssimas falas, conseguem ser canastrões só com expressões corporais (Sub-Zero que o diga:https://youtu.be/8c3rlYWuKmk).

O líder da bancada nefasta é Shang Tsung, o assassino do irmão de Liu Kang. Shang é um feiticeiro que tem o poder de se transformar e roubar as almas de seus adversários, e passa o tempo todo soltando frases famosas do jogo, como “flawless victory” e “fatality”. Por último, temos aquele que deveria ser o grande destaque do filme: Goro, um ser monstruoso de quatro braços, que pra época em foi produzido ficou até bacana na telona. O problema é que ele faz muito barulho por nada, já que é facilmente derrotado com poucos golpes, fazendo feio ainda mais pra um cara que no game era extremamente difícil de derrubar (pelo menos até você pegar as manhas).

Um ponto positivo são os cenários, que trazem todo o clima do jogo; pena que são preenchidos com atores tão fracos, inclusive nas cenas de lutas terrivelmente coreografadas, e com pouca ou nenhuma emoção. Como a grande maioria dos filmes comentados aqui, essa joça vale justamente pelas atuações e falas ridículas. Então agora é com vocês: “choose your destiny”!

Mortal Kombat
País/ano de produção: EUA, 1995
Duração: 101 minutos
Direção: Paul W. S. Anderson
Elenco: Christopher Lambert, Robin Shou, Talisa Soto, Linden Ashby, Bridgette Wilson

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